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Aplicativo criado por estudantes mineiros alerta pontos onde animais são atropelados

Aplicativo pode ajudar a diminuir o número de mortes de animais silvestres nas rodovias brasileiras

Do Sulminas146
Com informações da Ufla

Estudantes da Universidade Federal de Lavras (Ufla), no Sul de Minas, desenvolveram um aplicativo para mapear os pontos onde há maior incidência de atropelamento de animais silvestres  nas rodovias do país. O Sistema Urubu, como é chamado, pode ser baixado com qualquer aparelho celular com sistema Android ou iOS, e espera-se que o número de mortes diminua.

O atropelamento é uma ameaça séria para a fauna brasileira. Milhões de animais são atropelados a cada ano nas estradas brasileiras, muitos deles de espécies ameaçadas de extinção. Dados do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas da Universidade Federal de Lavras (CBEE – Ufla) mostram que todos os anos mais de 450 milhões de animais silvestres são atropelados nas estradas brasileiras.

Pensando em reduzir essa triste estatística, o CBEE desenvolve uma série de estudos e ações que têm alertado a população sobre a importância de medidas mitigadoras para evitar essas mortes. No último sábado (15) foi realizada uma das maiores campanhas de conservação da vida silvestre no Brasil: o Dia Nacional de Urubuzar, em alusão ao Sistema Urubu.

Aplicativo da Ufla alerta pontos onde animais silvestres são atropelados (Foto: Reprodução EPTV)

Aplicativo da Ufla alerta pontos onde animais silvestres são atropelados (Foto: Reprodução EPTV)

Para realizar essa ação, o CBEE fez uma parceria com a Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB) e o Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, ampliando a abrangência da campanha para todo o País. Ao todo, mais de 100 instituições irão realizar ações simultâneas para divulgar o Sistema Urubu e conscientizar o público do impacto dos atropelamentos na biodiversidade, entre elas, 56 zoológicos brasileiros. Na Ufla, 130 estudantes estão envolvidos na Campanha.

O Sistema Urubu

Disponível gratuitamente para Android e iOS, o Sistema Urubu é muito simples e com alta aplicabilidade. Para utilizar o sistema, o interessado pode fazer o download em seu smartphone e, ao encontrar um animal silvestre atropelado, basta fotografar para que a posição geográfica e a data sejam enviadas automaticamente para o banco de dados do CBEE.

O Sistema Urubu é constituído por três partes: o aplicativo Urubu Mobile coleta os dados, a plataforma Urubu Web faz a gestão de dados e o Urubu Map disponibiliza as informações em um mapa interativo. Com pouco mais de sete meses desde seu lançamento, o Sistema já conta com mais de cinco mil usuários em todo o País.

O diferencial do sistema é que os usuários não precisam ser especialistas, pois todas as fotos são validadas por uma equipe de pesquisadores de todo o Brasil. Segundo Alex Bager, essa é uma forma de obter um mapeamento confiável para uso no planejamento, gestão e desenvolvimento de políticas públicas.

O professor Alex Bager (DBI/UFLA) destaca que o sistema é pioneiro no Brasil e faz parte de uma nova geração de ações conservacionistas. “Cada pessoa, tendo esse aplicativo em mãos, tem o poder de fazer a diferença. Quanto mais pessoas forem mobilizadas, mais exatos serão os dados e as medidas que podem ser tomadas para reverter o alto índice de atropelamentos nas estradas brasileiras. Criamos uma rede em que as atividades têm um impacto real na proteção dos animais silvestres”, destaca o professor.

Triste realidade

A maior parte dos atropelamentos é de animais pequenos – 390 milhões de sapos, pererecas, cobras, roedores, pássaros e outras aves. Os acidentes com bichos de médio porte somam 55 milhões (gambás, furões, jaritatacas, lebres, jiboias, jabutis, macacos, tatus e aves maiores, como anu-branco, pombas, corujas e gaviões). “Anualmente mais de cinco milhões de animais de grande porte, entre antas, capivaras, cachorros-do-mato, gatos-do-mato, lobos-guará, onças, veados morrem nas estradas brasileiras”, afirma Alex Bager, coordenador do CBEE.

Segundo Alex Bager, os atropelamentos ocorrem em todas as rodovias, estradas e ferrovias, sendo impossível a presença de pesquisadores em todos os casos. Pensando nisso, o CBEE idealizou o Sistema Urubu, em que qualquer pessoa pode colaborar com informações e reduzir o impacto das rodovias na biodiversidade brasileira.

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