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Carrancas

Dois morrem em combate a incêndio em cidade cenário da Globo, no Sul de Minas

Chamas consomem serras em Carrancas, no Sul de Minas. Prefeitura pede socorro para situação “que está fora de controle”

Do EM

Dois homens morreram e um brigadista ficou gravemente ferido na tentativa de apagar um incêndio em Carrancas, no Sul de Minas. As vítimas teriam entrado na mata na noite dessa terça (14), mas só foram localizadas na madrugada desta quarta-feira (15). A cidade de 4 mil habitantes é conhecida por suas belezas naturais, tem o turismo como base da economia, mas não tem unidade do Corpo de Bombeiros. Um dos pontos, ainda em chama, serve de locação para as gravações da novela “Império”, da TV Globo.

De acordo com a prefeitura, a cidade sofre com as queimadas desde o último domingo (12), e a falta de estrutura para combater as chamas agrava o problema. O fogo começou na serra de Carrancas, avançou para a serra das Broas, serra do Abanador, principal locação da novela, e atinge o Complexo da Zilda, local em que estavam as vítimas e está maior parte das 80 cachoeiras do município.

Segundo a chefe de gabinete, Flávia Cristina Andrade, desde o último domingo são feitas chamadas para os Bombeiros, que só chegaram à cidade na manhã desta quarta, vindos de Lavras, a 70 km de distância. “Os dois homens que morreram e o brigadista, que teve 70% do corpo queimados, juntaram-se à população para tentar apagar o fogo, que estava ameaçando as casas e fazendas próximas. Não temos estrutura para combater tamanho incêndio. Nós precisamos é da ajuda de um helicóptero ou avião”, afirmou.

CarrancasA Prefeitura informou ainda que orienta a população, no boca a boca, a não tentar ajudar no combate às chamas, “que estão fora de controle”, ressaltou Flávia.

O aposentado Raimundo Ferreira e o operário Paulo Carolino da Silva morreram no local, carbonizados. José Ronaldo Monteiro Ferreira, de 49 anos, da Brigada Lobo-Guará e presidente do Sindicato Rural de Carrancas, foi levado em estado grave para o Hospital São Vicente de Paula, na cidade, e depois transferido de helicóptero para Belo Horizonte. A Polícia Militar também está na área das cachoeiras e aguarda os trabalhos da perícia. Os corpos serão levados para o Instituto Médico Legal de Lavras.

A Prefeitura já notificou a Defesa Civil Estadual, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e aguarda o socorro.

Bombeiros

Conforme os Bombeiros, 14 militares e brigadistas trabalham no combate às chamas. O pelotão de de Lavras, também no Sul do Estado, informou que a Defesa Civil Municipal auxilia na operação. Sobre a demora no atendimento, o militar disse desconhecer o chamado e a denúncia.

O Comando aéreo dos Bombeiros de Belo Horizonte informou que recebeu a chamada nesta quarta, e que seguiu para a cidade apenas para o resgate do brigadista. A vítima, conforme os bombeiros, apresenta queimaduras em mais de 50% do corpo, e foi deixada no Hospital João XXIII, na capital.

A assessoria da unidade informou que o paciente passa por cirurgia e que seu estado é grave.

Madrugada

O aposentado Antonio Ney de Abreu, 59, conhecia as vítimas. Segundo ele, todos eram moradores da cidade. “O Zé Ronaldo (brigadista), que era dono de academia e é do Sindicato Rural, pediu ajuda ao Raimundo e ao Paulinho pra apagar o fogo. Eles entraram na mata ontem de noite, e desapareceram. Quando foi hoje (quarta) de madrugada, lá pelas 4h, dois rapazes ouviram os gritos de socorro do Zé Ronaldo, que estava com o corpo bastante queimado”, contou.

As pessoas que socorreram o brigadista disseram que as outras duas vítimas já estavam mortas. “O Zé Ronaldo falou pros caras que socorreram ele que eles estavam apagando o fogo, quando as chamas aumentaram, de repente. Aí eles correram e acabaram caindo numa grota (buraco), só que os outros não resistiram”, completou.

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