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Passa Quatro

Encontro de Voo Livre em Passa Quatro realiza sonho de cadeirante

Encontro de voo livre teve 160 voos em dois dias, sendo 26 voos duplos de instrução.

foto: Paulo Lamin
Voo Livre Passa Quatro
Voo Livre Passa Quatro

A cidade de Passa Quatro, no Sul de Minas, recebeu o Encontro de Voo Livre no último final de semana. Os pilotos puderam aproveitar as maravilhas da Serra da Mantiqueira com tempo bom e céu azul.

Principalmente Rubens Ferreira de Melo, que há quatro anos mantinha o sonho de fazer um voo livre de instrução. E ele voou. Rubinho, como é conhecido pelos amigos, é carioca e mora em Passa Quatro. Como cadeirante, seu voo requeria mais cuidado ainda, mas correu tudo bem e ele pode decolar na Rampa da Casa de Pedra, com toda competência do piloto Eliedson Fernandes, o Camarão.

“Eu só tenho a agradecer e quero mais. Ano que vem estou de volta e vai ser mais perfeito ainda. Quero pousar na Estação”, comemorou Rubinho (veja vídeo do voo dele abaixo).

Rubinho e outras 25 pessoas puderam aproveitar os encantos das montanhas da Mantiqueira, em voos duplos de instrução. Muitos deles voaram pela primeira vez.


Vídeo de Daniel Lima

No total, os organizadores contabilizaram 160 voos em dois dias de evento. Apenas um acidente foi registrado, onde um piloto fraturou as pernas, mas foi socorrido por ambulância e passa bem, segundo informações dos organizadores.

Nos próximos dias, o Lar dos Velinhos de Passa Quatro deve receber a ilustre visita de alguns pilotos que fizeram parte da organização do evento. Eles irão entregar cerca de 65 quilos de alimentos não perecíveis que foram arrecadados pelos pilotos como taxa de inscrição.

“Todas as pessoas envolvidas, organizadores e colaboradores, todos fizeram por amor ao esporte e a nossa Passa Quatro. Não recebemos nada (financeiro) por isso. Além de boas energias”, destacou Renato V. Almeida, um dos organizadores.

Bastidores

Um evento como esse, de Voo Livre, requer muita organização e mobilização. O Sulminas146 acompanhou por duas semanas, por meio de um grupo de whatsapp, onde cinco pessoas engajadas em fazer o evento acontecer, mesmo com muitas adversidades, conseguiram unir forças, vontades, sonhos e superação, para dar esse presente a Passa Quatro, que nesta terça-feira (2), completou 127 anos de emancipação.

Muita correria e providências de equipamentos, materiais, patrocínios, apoios, convites, interação com a Prefeitura Municipal para ajustar a estrutura da rampa, estrada, segurança de voo e pouso para pilotos, boas condições ao público presente.

Com custo baixo e boa adesão, Passa Quatro teve um evento que deve ser mantido no seu calendário oficial, caso persista na questão de ser referência no turismo regional. E ainda movimentou a economia da cidade, uma vez que a grande maioria dos pilotos era de fora, consumindo nos hotéis, restaurantes e comércio local. O evento deu condições para alguns profissionais liberais trabalharem, como vendedores de pipoca, churrasco, água de coco, entre outros.

E ainda não faltou gratidão e boa lembrança dos organizadores e pilotos, ao homenagearem e reconhecerem a importância de Cid Silva, que faleceu no ano passado, e foi um dos idealizadores e responsáveis em trazer para cidade o voo livre.

“Foi ele (Cid) quem possibilitou o voo em Passa Quatro, abrindo a rampa e buscando recursos junto à prefeitura”, lembrou Max Costa Moreia, também um dos organizadores.

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3 comentários

  1. Eduardo Giachini

    O evento foi excelente e tive a oportunidade de prestigiá-lo no sábado, mas gostaria de fazer algumas observações para a organização: - claro que é sempre uma novidade para cidade e para quem não conhece o esporte. O local poderia estar melhor sinalizado. Eu que não conhecia, penei um pouco para chegar lá, principalmente porque a rampa fica numa propriedade particular. O próprio pessoal da tenda não sabia explicar como chegar; - Li aqui mesmo que uma van levaria os pilotos e os passageiros do voo duplo, o que não ocorreu. Subiram dois caminhões velhos com um monte de gente na carroceria, numa total exposição das pessoas e sem qualquer fiscalização da PM ou Prefeitura. Certamente, o acesso nesse caminhão era muito mais perigoso do que o voo em si; - um acidente com fraturas nas duas pernas, num universo de 160 oportunidades, não pode ser desprezado pela organização. Se esse mesmo índice fosse tolerado na aviação civil ou na indústria, por exemplo, teríamos milhões de mortos todos os dias nessas atividades. É importante saber o que ocorreu para que não aconteça sobretudo nos vôos duplos, com pessoas não profissionais que pagam pelo divertimento.

  2. Maximiliano Costa Moreira

    Oi Eduardo, sobre seu comentário, a organização ficou em um tenda na cidade, localizada no pátio da estação com várias cadeiras e mesas para o pessoal poder sentar e se inscrever, sendo que a organização estava com as camisetas do evento. Acreito que vc tenha procurado as pessoas erradas. Quanto ao meio de transporte, ele foi cedido pela prefeitura (caminhão e pickup), sendo que o caminhão subiu 2x por dia na rampa e a pickup várias vezes levando o pessoal do vôo duplo e assim como acontece em várias comemorações na cidade (carreata de São Cristóvão, abertura de exposição, entre outras) o pessoal foi na carroceria, lógico que com todo zelo por parte dos motoristas para que os passageiros chegassem intactos no local de decolagem. O acidente ocorreu por uma fatalidade. O piloto era devidamente habilitado, possuía várias horas de vôo em vários lugares do país e tinha total condições de praticar o esporte em nosso sítio de vôo e ele tem consciência de que o acidente ocorreu por um erro cometido por ele no momento da sua aterrisagem, porém, nós da organização, chegamos 3min após o acidente com um médico preparado para os primeiros socorros, onde foi acionado a ambulância que a prefeitura nos colocou a disposição juntamente com o médico plantonista e também o profissional de raio x, o que nos possibilitou a rápida remoção do paciente e também o deslocamento dele para Volta Redonda (hospital na cidade onde ele mora e tem convênio médico ) através de uma uti móvel que estava no PS de Passa Quatro e tinha convênio médico com a seguradora do paciente. Nós da organização, tivemos o cuidado de, no momento da inscrição, orientar os pilotos das condições de vôo em Passa Quatro e também de só permitir pilotos com a carteirinha de vôo devidamente emitada e validada pelos órgãos responsáveis pela regulamentação do esporte (ABVL ou ABP). Para se possuir essa habilitação, vc tem que frequentar aulas práticas e teóricas de vôo que vão desde a análise climática no momento da decolagem, como recursos de manobras para se minimizar os incidentes em vôo. É mais ou menos o que se faz quando vc tira uma habilitação para dirigir seu carro. É ministrado regras de tráfego aéreo, procedimentos de decolagem, vôo e aterrisagem, meteorologia, checagem de equipamento, etc. Porém nesse esporte, como qualquer outro, há riscos e esse risco é avaliado pelo praticante do esporte e ele decide se deve ou não correr decolar. Nós da organização, nos preocupamos em analisar as condições climáticas e orientar os pilotos das previsões para nosso sítio durante o evento. De qualquer forma, sua crítica já foi levada a secretaria de esportes de Passa Quatro e para o próximo ano, tenho certeza de que será muito melhor que este. Dos pilotos, só tivemos elogios, tanto da organização do evento, da cidade e também do resgate feito ao piloto acidentado.

  3. Eduardo Giachini

    OK Maximiliano, grato pelas suas informações, o que certamente dá mais credibilidade aos organizadores. Fora o acidente com fratura no piloto, só lamento mesmo a Prefeitura de uma cidade turística apoiar um evento desses, que traz importantes divisas para a cidade, cedendo caminhões velhos para transportar pessoas serra acima na carroceria, infringindo inclusive a legislação de trânsito. Pelo piloto, a organização se responsabiliza. Fica a dúvida se, no caso de um acidente fatal com alguém da carroceria, a Prefeitura se responsabilizaria civil e criminalmente. Abraco