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Estudante mineira comemora autorização para usar remédio à base de maconha

Juliana de Paolinelli obteve autorização da justiça (foto: Humberto Trajano)

Juliana de Paolinelli obteve autorização da justiça (foto: Humberto Trajano)a

“Já faço uso de maconha há muito tempo e acho que salvou minha vida. Recebo com muita alegria esta decisão, porque sei que isso vai abrir porta para muita gente”, comemora a estudante Juliana de Paolinelli, de 35 anos, que obteve da Justiça a primeira autorização para importar um remédio com maior concentração de tetraidrocanabinol, o THC, de uso e comercialização proibidos no país. A substância, que gera os efeitos cognitivos e psicológicos conhecidos como “barato” da planta, é usada para fins terapêuticos no exterior.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi notificada da decisão na tarde da última quarta-feira (27) e tem cinco dias corridos para providenciar a permissão. Embora caiba recurso, o órgão informou que vai cumprir e, com isso, liberar pela primeira vez a entrada deste medicamento no Brasil. Um outro pedido para o mesmo remédio foi recebido em julho deste ano diretamente pela Anvisa, sem demanda judicial, mas o paciente não apresentou os documentos necessários.

“Não posso perder tempo. É um remédio, a gente quer simplesmente viver um pouco melhor”, disse Juliana sobre a decisão de procurar a Justiça. Moradora de Belo Horizonte, ela tem duas filhas e tenta levar uma vida normal, apesar das dores intensas decorrentes de um problema de coluna. Para se locomover, faz uso de bengala, coletes ortopédidos, em algumas ocasiões, e de uma cadeira de rodas.

Pedidos de importação de medicamentos à base de canabidiol, o CBD, outro componente da maconha, já vêm sendo autorizados no Brasil. De acordo com a Anvisa, até o momento, já foram autorizados 50 dos 72 pedidos para remédios com até 1% de THC e maior concentração de CBD. No caso de Juliana, a medicação solicitada tem em torno de 45% de THC, conforme a Anvisa. Os componentes teriam aplicações em tipos distintos de tratamento.

Do G1

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