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Grupo de haitianos trabalha em Andradas, no Sul de Minas

Emmanuel Nereveil, haitiano de 25 anos, vive na cidade de Andradas, no Sul de Minas, há pouco mais de dois meses, para trabalhar em uma empresa que fabrica louças sanitárias.

Ele é apenas um entre os 601 haitianos, que segundo o Ministério do Trabalho foram contratados como ‘mão de obra’ por empresas mineiras. Inicialmente em um abrigo para imigrantes em São Paulo, ele veio para Andradas, com pouco menos de 40 mil habitantes, a convite da firma, que o trouxe junto com outros seis haitianos e um nigeriano. Ao todo, a empresa originária de Andradas emprega 26 estrangeiros e garante moradia no primeiro mês em que eles estão na cidade.

Haitiano exibe passaporte e espera ficar bastante tempo no Brasil (Foto: Jéssica Balbino/ G1)

Haitiano exibe passaporte e espera ficar bastante tempo no Brasil (Foto: Jéssica Balbino/ G1)

Em uma rotina que se resume a ir de casa para o trabalho e do trabalho para casa, Emmanuel se abstém do esporte que mais gosta – futebol- com medo de se machucar e não poder dedicar-se ao objetivo principal: conseguir guardar um pouco de dinheiro.

Com um salário base de pouco mais de R$ 900, mais o adicional noturno e alguns benefícios por 8 horas de trabalho diárias, ele divide os ganhos entre o pagamento do aluguel da casa  com sete colegas que também vieram do Haiti, a alimentação e o dinheiro enviado aos pais no país de origem e também à esposa e à filha de quatro meses que vivem na República Dominicana.

“Eu quero conseguir guardar um pouco de dinheiro. Ainda não posso dizer quanto e nem como, mas quero ajudar meus familiares. Sou o mais velho da família e tenho isso comigo. O Haiti é um país muito pobre e aqui é melhor para viver e trabalhar”, disse.

Por  ter vivido 6 anos na República Dominicana, o idioma não tem sido uma barreira para Emmanuel, como é para alguns colegas com quem trabalha ou divide a casa. Alguns não compreendem o português, ou mesmo o espanhol ou o inglês, e expressar-se apenas em francês e crioulo. No entanto, a partir deste mês, todos os 26 estrangeiros que trabalham na empresa de cerâmica devem receber aulas de português na firma.

“Eu trabalho como ajudante de fundição, mas quero aprender mais, quero aprender a falar melhor também a língua local. Eu me viro com o que sei de espanhol que é meio parecido, mas será bom aprender mais”, comentou o haitiano.

Para Emmanuel, tem sido satisfatório. Em pouco tempo em Andradas, ele encontrou carinho por parte dos moradores, que tem sido amistosos com ele e os demais haitianos. “Os brasileiros ajudam muito os haitianos. Eles nos dão oportunidades e sempre nos tratam bem, sempre que eu saio na rua os moradores daqui me saúdam”, contou.

E este tratamento, segundo ele, compensa o desgaste e os 9 dias de viagem para chegar ao Brasil. Ele saiu da República Dominicana no dia 21 de junho deste ano e só chegou em Rio Branco (AC) no dia 30 de junho. Neste percurso, pegou três voos e um ônibus do Peru ao Brasil, quando contou com ‘ajuda’ de um atravessador, conhecido popularmente como ‘coiote’. Toda viagem custou cerca de 2,5 mil dólares.

“Quando cheguei no Brasil, me senti humano. Aqui não tem racismo como tem em outros países. Foi como realizar um sonho. Existe um senso comum no Haiti e na República Dominicana de que aqui é acolhedor e por isso eu quis vir. Não tenho planos de quanto tempo devo ficar, nem sei quanto o governo brasileiro me permitirá, quero trazer minha esposa e minha filha e construir uma vida melhor. No Haiti as coisas são muito difíceis. O país é muito pobre, no terremoto em 2010 eu perdi uma tia e três primos, meus pais vivem em uma situação muito difícil também. Quero melhorar”, finalizou.

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