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Minas Gerais vive a pior seca em 43 anos e deve reduzir vazão de Três Marias

Comitê quer mapear municípios onde nascentes e córregos secaram; outubro será de pouca chuva

Do Jornal O Tempo

A cada segundo, a represa de Três Marias recebe 32 m³ de água do rio São Francisco, mas a vazão da represa é cinco vezes maior: saem 160 m³ por segundo. O fenômeno, causado por três anos de chuvas escassas, acendeu o sinal de alerta no Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF). Em reunião emergencial realizada nesta sexta em Belo Horizonte, o órgão decidiu encaminhar uma série de propostas para reduzir os impactos da seca ao longo do rio da integração nacional, entre elas a redução da vazão de Três Marias.

“A situação é crítica”, disse o vice-presidente do CBHSF, Wagner Soares. O nível de Três Marias é usado como indicador da seca do São Francisco. Atualmente, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o reservatório tem 5,5% de sua capacidade. Este é o segundo pior quadro já registrado desde 1931, quando as medições começaram – o pior foi em 1971, quando o nível chegou a 3%.

Represa de Três Marias está com o fundo à vista (foto: Jornal O Tempo)

Represa de Três Marias está com o fundo à vista (foto: Jornal O Tempo)

A redução da vazão é uma maneira de conservar a pouca água que ainda há na represa. O novo nível, caso a proposta seja aceita, deve ser definido pelo ONS e pela Agência Nacional das Águas (ANA). Outras ações emergenciais apontadas pelo comitê são o mapeamento dos municípios onde nascentes e córregos secaram. Nesta semana, a principal nascente do rio, que fica no Parque Nacional da Serra da Canastra, secou pela primeira vez na história.

Os pedidos do comitê serão encaminhados “imediatamente” a ANA, ONS, Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais, Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e Ministério do Meio Ambiente. O CBHSF também quer a realização de campanhas de racionalização do uso da água, a redução de perdas das concessionárias de saneamento e a revitalização do rio. “Estamos buscando soluções para minimizar o impacto para a sociedade. Cada um vai ter que perder um pouco”, diz Soares.

Chuvas. O mês de outubro será marcado por pouca chuva e níveis de reservatórios ainda mais baixos. Um relatório divulgado nesta sexta pelo ONS prevê afluência hídrica “abaixo da média histórica” no mês que vem. A exceção será o Sul do país. Para o período de 27 de setembro a 3 de outubro, no entanto, a expectativa é de aumento das afluências nos sistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul.

Hidrovia. Uma grande operação para restabelecer a navegação de grandes embarcações na hidrovia Tietê-Paraná teve início nesta sexta e vai reduzir a vazão em três hidrelétricas do rio Paraná.

Pirapora encontrou alternativa
A seca histórica na bacia do São Francisco obriga as cidades a buscarem alternativas para o abastecimento, fato que era impensável há alguns anos. “A água sempre foi abundante e, por isso, a gente nunca se preocupou com ela”, diz o vice-presidente do Comitê de Bacia, Wagner Soares.

Em Pirapota, por exemplo, foi implantado um novo modelo de captação, com balsa, motobomba e gerador. O modelo anterior, de captação de água por gravidade, não é possível com o baixo volume atual do Velho Chico. Os novos equipamentos, de acordo com informações do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), vão garantir o bombeamento da água até o canal de captação, que fica a 800 metros do local de instalação da balsa.

Sai mais água do que entra
32 metros cúbicos por segundo entram em Três Marias

160 metros cúbicos de água por segundo saem da represa

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