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Água já é item em estoque para moradores em Minas Gerais

Rio Vermelho, que abastece região de Ravena, está seco. Copasa desvia água de outras regiões

Do Jornal O Tempo

A falta de água em Ravena, distrito de Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte, está deixando os moradores receosos e dispostos a armazená-la em casa. João Paulo Ferreira dos Santos tem um restaurante no centro de Raven,a ao lado de sua residência. “Enchi várias bombonas, de 100, 50 e 30 litros, para garantir que vou ter água neste fim de semana, pelo menos para lavar as vasilhas”, afirma. Segundo João Paulo, o receio é que o fornecimento volte a minguar nos próximos dias, como aconteceu no último fim de semana. “As pessoas estão comentando que o risco de faltar água continua”, diz o comerciante.

“No último domingo, acabei tendo que pedir água na casa da minha cunhada”, afirma José de Anunciação, balconista e morador do centro do distrito. Ele confirma que o medo de não ter água é geral. “Estamos com medo, porque dizem que o rio secou, e estamos vendo mesmo como a água diminuiu. Já consegui um vasilhame com 50 litros onde vou armazenar”, afirma José, que ainda reclama que a vazão da água está fraca. “Hoje (nesta sexta) achei que ia acabar, porque não tinha força nenhuma”, alerta.

Matagal toma conta do leito do rio Vermelho, que abastecia região de BH (foto: Jornal O Tempo)

Matagal toma conta do leito do rio Vermelho, que abastecia região de BH (foto: Jornal O Tempo)

Poços secos. A informação que chega à população é que os poços artesianos abertos pela Copasa estão vazios. “O rapaz da Copasa esteve aqui e disse que não tem água no rio nem no poço artesiano”, conta João Paulo. A moradora do bairro Boa Vista Maria Eliane da Silva, 47, foi informada que o problema ocorreu porque uma bomba da Copasa queimou. “Foi o que o pessoal da Regional informou”, diz.

O funcionário da Regional da Prefeitura de Sabará que funciona em Ravena, Ari Pedro de Siqueira, afirma que “o maior problema é que o rio Vermelho secou”. A Copasa está com um poço artesiano e buscando água em Borba Gato (bairro de Sabará) para atender aqui. Mas não há notícia de racionamento”, afirma.

Uma fonte que não quis ter seu nome revelado, entretanto, confirmou que pode voltar a faltar água no distrito de Ravena porque a região está sendo abastecida por água “especiais”, ou seja, desviadas de outras regiões. Álvaro Augusto Emery, morador de Boa Vista e líder comunitário, critica a Copasa: “Queima uma bomba e ficamos sem água por cinco dias?”

Solidariedade
Quem ficou sem água em Ravena na última semana buscou ajuda com os amigos. “Na semana passada, fui para a casa de um vizinho com poço artesiano”, diz Éder Lírio, 27, aprendiz de restaurador.

Poços artesianos e cisternas estão secando
Uma das alternativas diante da seca, os poços artesianos de Ravena, distrito de Sabará, região metropolitana de Belo Horizonte, estão secando. “O lençol freático está cada vez menor e as cisternas estão secando”, denuncia Álvaro Augusto Emery, líder comunitário local. Além disso, ele denuncia que os poços existentes estão contaminados pela falta de saneamento básico. “Estamos cheios de fossas negras, porque não há esgoto. Os poços artesianos também são contaminados”, diz.

Ari Pedro de Siqueira, funcionário público que trabalha na Regional da Prefeitura de Sabará em Ravena, confirma a informação de Álvaro. “Temos recebido diversas reclamações de cisternas e poços artesianos que secaram. Estamos buscando solução para isso também.

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