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Nível do Lago de Furnas sobe dois metros nos últimos dias

Mesmo com aumento,  quantidade de água em Furnas preocupa, já que a partir de abril começa o “período da seca”, quando chove menos no país e nas regiões sul de Minas Gerais e norte de São Paulo.

Nível do Lago de Furnas sobre dois metros nos últimos dias (foto: reprodução)

Nível do Lago de Furnas sobre dois metros nos últimos dias (foto: reprodução)

As chuvas das últimas semanas fizeram o Lago de Furnas subir quase dois metros. Ele chegou a ficar mais de 15 metros abaixo do limite, mas agora já está na faixa dos 13 metros em relação ao limite. Na medição do Operador Nacional do Sistema (ONS), o reservatório da usina – a principal do Sudeste – opera hoje com 15,79% da capacidade.
Apesar do índice baixo para o período, a alta foi significativa, já que a represa chegou a ter pouco mais de 9%. Nas outras usinas da região, que estão no Rio Grande e necessitam do lago, a situação também melhorou consideravelmente.

Algumas chegaram a ficar abaixo dos 10% em janeiro, mas na Usina Mascarenhas de Moraes o nível de água está hoje em 21,9% da capacidade, enquanto em Marimbondo o percentual é de 30,15% e em Água Vermelha, de 27,01%.

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Para os municípios que dependem das águas, a situação também melhorou e os turistas aos poucos vão reaparecendo. Numa pousada de Alpinópolis, a movimentação aumentou bastante. “Com as chuvas, as pessoas esperavam encontrar mais água, e subiu mesmo”, disse Fernando José Silva, que cuida do negócio. Porém, quem não visitava o local há muito tempo se surpreendeu.

O lago marcou na última quarta-feira (18) 754,39 metros em relação ao nível do mar. A quantidade de água preocupa, já que a partir de abril começa o “período da seca”, quando chove menos no país e nas regiões sul de Minas Gerais e norte de São Paulo, onde se encontra boa parte das Hidrelétricas do Sudeste e onde está a Usina de Furnas.

A represa de Furnas está pouco mais de quatro metros acima do nível operacional. Se chegar a 750 metros em relação ao nível do mar, o que seria o “volume morto” da produção de energia, para de gerar eletricidade.

Crise

Considerado o “Mar de Minas”, o lago enfrentou secas inéditas nos últimos dois anos. Os 34 municípios em seu entorno, que viram surgir o reservatório e as usinas como solução para a questão energética no Brasil há mais de 40 anos, hoje vivem situações impensadas. A seca fez reaparecer ruínas nos fundos do rio e o ganho com o uso das terras despencou.

Devido ao reservatório, municípios recebem royalties sobre o ganho das usinas com a geração de energia. Mas a falta de água e a crise energética fizeram despencar esses recursos e a crise é intensa. Em Carmo do Rio Claro a receita pelo uso do lago caiu de R$ 310 mil para R$ 140 mil por mês.

Já a prefeitura de Delfinópolis recebia R$ 335 mil e agora chegam aos cofres públicos apenas R$ 135 mil. O reflexo disso são atrasos nos pagamentos e cortes de serviços. Em Guapé, a prefeitura recebeu no ano passado repasses de R$ 2 milhões, ante R$ 3,5 milhões no ano anterior.

Os prefeitos reclamam e alguns já pedem mais dinheiro. Uma comitiva de Pedregulho (SP) foi recebida em audiência neste mês na sede de Furnas Centrais Elétricas, no Rio. O prefeito José Raimundo de Almeida Júnior apresentou documentos pedindo a correção de repasses de impostos e royalties para o município, que abriga a Usina Engenheiro Luiz Carlos Barreto de Carvalho.

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1 comentário

  1. Sul de Minas tem chuva acima da média - Sulminas146

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