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Número de mortos no período chuvoso deste ano é 11 vezes menor que em 2014

A longa estiagem reduziu significativamente o número de desastres naturais e de mortes causados pelo período chuvoso em 2014/2015.

Do Estado de Minas

Se, por um lado, a seca que atinge Minas Gerais tem causado problemas de abastecimento de água em várias regiões do estado e põe em risco a produção agropecuária de Minas, por outro, a longa estiagem reduziu significativamente o número de desastres naturais e de mortes causados pelo período chuvoso. Dados registrados pela Defesa Civil Estadual no período chuvoso 2014/2015 e divulgados nesta segunda-feira mostram que, no comparativo com o mesmo período do ano passado, o número de municípios afetados por algum problema relacionado à chuva é nove vezes menor e a quantidade de mortos é 11 vezes inferior.

Na temporada passada, em janeiro, Minas tinha mais de 30 mil desabrigados, 10 vezes mais do que o número registrado no período vigente. Em 2015, nenhuma cidade decretou calamidade pública por causa da chuva. Em 2014, dois municípios emitiram o alerta, entre eles Sardoá, no Vale do Rio Doce. A localidade assistiu à tragédia do deslizamento de uma encosta sobre uma casa, que matou seis pessoas.

A seca em Minas se prolonga desde o ano passado e havia grande expectativa de que, a partir de dezembro, com a chegada de chuvas significativas, o que não se confirmou, a situação melhorasse. A decretação de situação de emergência em função da estiagem, o baixo nível dos reservatórios e o racionamento do abastecimento de água em alguns municípios são os reflexos mais sentidos pela população.

Na temporada 2013/2014, a cidade de Sardoá registrou uma tragédia com seis mortos depois de um deslizamento de terra durante temporal (foto: Estado de Minas)

Na temporada 2013/2014, a cidade de Sardoá registrou uma tragédia com seis mortos depois de um deslizamento de terra durante temporal (foto: Estado de Minas)

O meteorologista Dayan Diniz de Carvalho, do Tempo Clima/PUC Minas, explica o fenômeno. “Na segunda quinzena de dezembro, a massa de ar quente e seca se intensificou. O sistema (que traria as chuvas) avançou sobre o Sudeste, mas não chegou a todas as regiões de Minas Gerais. A frente fria foi barrada, causando chuvas em São Paulo e no Rio”, esclarece. Segundo ele, a massa de ar seco ainda predomina no estado neste início de ano e se intensificou nos últimos quatro dias. Ela ainda ganhou força e fez com que o tempo seco predominasse principalmente nas regiões Central e Norte.

Janeiro

Levantamento feito Tempo Clima/PUC Minas a pedido do em.com.br revela que embora a ausência de chuva e as altas temperaturas neste mês chamem a atenção da população, o cenário de 2015 não é muito diferente do que foi registrado no início de 2014. De acordo com o instituto, no ano passado houve déficit de chuva em todas as regiões mineiras, sendo que o Norte do estado apresentou redução da ordem de 80%. Na Região Central, o volume de chuva ficou 60% abaixo da média. Conforme Dayan Diniz, até o momento Minas Gerais registra um deficit entre 70% a 75% de chuva em relação à média e em algumas regiões sequer choveu, caso do Norte do estado. Ele também explica que o estado se encontra em um veranico – caracterizado pela ausência de chuvas dentro do período chuvoso. A tendência é de calor e tempo seco ao longo da semana no estado.

Comparando a previsão para hoje, 12 de janeiro, com a mesma data em 2014 em Belo Horizonte, há apenas uma pequena variação. Na capital mineira, o dia deve ser ensolarado, com temperatura mínima de 18 graus e máxima de 31 graus. No dia 12 de janeiro do ano passado, BH teve temperatura mínima de 21 graus e máxima de 31. Naquele mês, choveu na capital somente entre 18 e 23 de janeiro. A Defesa Civil Municipal emitiu também um alerta de baixa umidade relativa do ar na capital, que deve ficar entre 20% e 30%.

O instituto de meteorologia destaca que neste ano as chuvas têm ocorrido em pontos isolados do Sul, Sudoeste e Oeste de Minas em forma de pancadas no final da tarde por causa do calor durante o dia. A situação ocorre devido à ação da massa de ar quente e seco que dificulta a chegada de frentes frias vindas do Sul do Brasil e também o transporte de umidade da Região Amazônica, situação semelhante à ocorrida em janeiro de 2014.

Nos próximos cinco dias, a previsão é de pancadas de chuvas isoladas no Sul, Oeste e Triângulo Mineiro. No restante do estado o clima deve permanecer ensolarado a parcialmente nublado, sem chuvas. Também não há previsão de chegada de frentes frias que possam modificar o quadro de estabilidade nesta semana.

Confira os números completos da Defesa Civil:

12 de janeiro de 2015

Municípios que decretaram estado de calamidade pública: 0
Municípios que decretaram situação de emergência: 4
Municípios atingidos por evento adverso, mas não decretaram: 9
Total de municípios afetados: 13
Desalojados: 2.955
Casas danificadas: 355
Desabrigados: 40
Casas destruídas: 7
Desaparecidos: 0
Obras de infraestrutura / danificada: 9
Feridos: 6
Obras de infraestrutura / destruída: 5
Óbitos: 2

12 de janeiro de 2014

Municípios que decretaram estado de calamidade pública: 2
Municípios que decretaram situação de emergência: 88
Municípios atingidos por evento adverso, mas não decretaram: 31
Total de municípios afetados: 121
Desalojados: 32.306
Casas danificadas: 9.939
Desabrigados: 16.796
Casas destruídas: 597
Desaparecidos: 0
Obras de infraestrutura / danificada: 1.036
Feridos: 226
Obras de infraestrutura / destruída: 495
Óbitos: 22

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