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Passa Quatro já foi conhecida como a principal fornecedora de batata do Sudeste

Peru tem mais de 700 mil produtores de batata. Hoje, o Brasil tem cerca de cinco mil. Antes eram mais de 40 mil.

Do Globo Rural

Brasil chegou a ter 40 mil produtores (foto: divulgação)

Brasil chegou a ter 40 mil produtores (foto: divulgação)

O Sul de Minas que, no século passado, viveu um promissor apogeu das linhas de ferro, também experimentou o glorioso passado com a batata. A cidade de Passa Quatro chegou a ser conhecida como a principal fornecedora de batata certificada do Sudeste. O governo federal até construiu um grande armazém com câmaras frias para guardar quase cem mil toneladas de batata. Há muitos anos está vazio. Plataforma às moscas; carros com pneus murchos; empilhadeiras aguardando o que fazer.

A CONAB não autorizou a entrada da equipe do Globo Rural. Informou apenas que o prédio está destinado a leilão.

O Brasil faz bem três safras de batata por ano com ciclos de 120 dias em média. Mas, na Mantiqueira, são só duas, pulando-se a de inverno por causa da geada. Em Passa Quatro, o Globo Rural acompanhou a arranca da batata da seca. A colheita na pirambeira é uma atividade heróica. É tudo no braço.

A colheita é o começo do drama e continua na hora de vender. O ideal seria estocar, guardar em uma câmara fria. O mercado sabe que a carga com o calor vai perder qualidade, por isso o preço cai. Pro pequeno, no Brasil, a batata chegou ao limite da decepção.

Brasil x Peru

Já no Peru, num lugar que dispensa armazém de câmara fria para conservar os alimentos, vimos o pequeno batateiro ganhando mercado com um produto, antes, destinado apenas ao consumo da família. Algo que é desconhecido, sequer imaginado, pela maioria dos brasileiros: a batata desidratada. Muito comum na região do lago de Titicaca, divisa com a Bolívia.

A batata seca que parece coberta de neve tem uma data de validade admirável – cinco anos. Ela é considerada como o produto processado pelo homem mais antigo na história dos Andes. A tunta, ou chuño, é originária das regiões mais geladas do entorno do lago de Titicaca. A tunta é o tipo de alimento coringa e muito fácil de fazer. O sabor é quase neutro e prevalece o amido. E as pessoas comem com tudo.

Diferenças

Seis mil quilômetros separam os Andes da Mantiqueira. O Globo Rural comparou o cultivo da batata nos dois lugares. Dada a dificuldade em mecanizar lavouras em pirambeiras, não é de se estranhar o modelo de força brutal e tração animal tanto no Peru quanto no Brasil. A diferença é que no Peru, a bataticultura é capilar em toda a Cordilheira. Passa de 700 mil o número de produtores de batata peruanos.

No Brasil, segundo Natalino Shimoyama, gerente da Associação Brasileira dos Bataticultores (ABBA), são cerca de cinco mil produtores. “Nós tínhamos mais de 40 mil produtores, mais de 150 mil hectares. Hoje estamos próximos dos 100 mil hectares. O Brasil tinha um consumo per capita acima de 15 kg, hoje estamos abaixo de 10 kg de batata fresca, batata brasileira”, diz. No Peru, o consumo médio é de oitenta cinco quilos por pessoa, por ano, parecido com o consumo da Europa e dos Estados Unidos.

Toda cidade nos Andes tem a sua rua da batata. Uma, duas vezes por semana, os produtores descem de suas propriedades para expor a sacaria nas calçadas. Eles têm uma grande safra entre maio e junho, e uma menor entre outubro e novembro. Como o clima favorece a conservação natural, eles comercializam em conta-gotas, garantindo o dinheiro da feira.

Não há só a venda pública direta ao produtor. Nos mercados municipais, nos grandes supermercados de rede nacional, o comércio de batata é intenso. “O Peru voltou a ser o maior produtor de batata da América Latina e do Caribe”, orgulha-se a agrônoma Celfia Obregón. Ela conta que a batata tinha perdido terreno para o arroz e o macarrão, mas a redescoberta das nativas reavivou o consumo.

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