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Polícia de Minas forma 1.976 soldados, mas déficit no efetivo continua

De acordo com a legislação, até o ano que vem, o contingente da PM deverá totalizar 51.669 servidores.

Do Hoje em Dia

A partir do dia 14, o efetivo da Polícia Militar de Minas Gerais contará com cerca de 2 mil novos soldados. Um reforço importante no combate à criminalidade, mas que está longe de resolver o déficit na corporação. Ao todo, o Estado terá algo em torno 45 mil militares, 6 mil a menos que o fixado pela Lei nº 20.533, de 2012.

De acordo com a legislação, até o ano que vem, o contingente da PM deverá totalizar 51.669 servidores. O governador eleito, Fernando Pimentel, prometeu, durante campanha, criar mais 12 mil vagas, nas polícias Civil e Militar.

Policiais em formação andavam em grupos pelas ruas; o último estágio do curso vai até o dia 14 (foto: divulgação)

Policiais em formação andavam em grupos pelas ruas; o último estágio do curso vai até o dia 14 (foto: divulgação)

Os 1.976 futuros soldados passam por um treinamento na capital. Na última segunda-feira (3), terminou a etapa de ambientação nas ruas, com duração de pouco mais de uma semana. Apesar de não resolverem o problema do quadro de servidores, a simples presença dos policiais na cidade mudou a percepção da sensação de segurança de muita gente. “Cruzei com vários na esquina. Isso inibe a ação de criminosos”, avaliou a empresária Vanessa Costa, de 49 anos, enquanto caminhava pelo bairro Santa Efigênia, região Leste.

Opinião compartilhada pela doméstica Elizabeth Brígido Costa, de 42 anos. “Não sei o que aconteceu. Geralmente, tem mais policiamento em eventos grandes, como a Copa, ou no fim do ano. De qualquer forma, aprovo a medida e espero que seja mantida”.

Nem todos os futuros militares continuarão na cidade. Eles integram o curso de formação de novos soldados e, depois de um estágio nos batalhões da capital, serão distribuídos entre a região metropolitana e o interior (veja quadro).

Volta ao Normal

A corporação reconhece que, muitas vezes, a sensação de segurança está vinculada à quantidade de policiais na rua. Por isso, pode ocorrer a inversão desse sentimento nas próximas semanas, com a ausência de parte deles na capital. “Se a população relaciona o aumento da sensação de segurança com o efetivo maior, e ele não tem condição de ser mantido, é uma consequência lógica que isso mude”, afirma o comandante da Escola de Formação de Soldados da PM, tenente-coronel Wagner Eustáquio da Silva Almeida.

Qualidade

Apesar de a quantidade mantida em BH (563) não ser suficiente para suprir toda a demanda, o ganho no efetivo é considerado uma melhoria importante. “Temos não apenas mais policiais, mas policiais melhor qualificados. Não adianta crescer apenas no número”, avalia Almeida.

Dos novos soldados, 54% já possuíam curso superior antes de ingressar na corporação. Após a formatura, todos sairão credenciados pelo curso superior de tecnologia em atividades de polícia ostensiva.

Minientrevista

Luís Flávio Sapori
Coord. do Centro de Pesquisas em Segurança Pública da PUC

Qual sua avaliação sobre esse acréscimo no número de policiais nas ruas?
Essa presença policial mais intensiva é ótima. Mostra, na prática, como o policial ostensivo inibe o crime e aumenta a sensação de segurança. É uma evidência concreta de como o contingente da PM de Minas e de todo país está defasado. Ideal seria que essa sensação não fosse excepcional, que fosse padrão.

O aumento no contingente com esses novos policiais vai resolver a situação da defasagem?
Não vai resolver, mas vai repor as perdas dos últimos anos. Isso já é uma conquista. Ainda estamos distantes do número ideal, e há limitações orçamentárias do governo para realizar essa melhoria. É necessário que o governo federal participe mais, porque os estados não podem arcar com tudo sozinhos.

A quantidade por si só vai resolver o problema da segurança?
Não, um bom policial tem que ser bem formado. Tem que saber trabalhar operacionalmente e ter boa formação humana. Em Minas, a PM faz isso muito bem, forma os seus policiais com esse olhar voltado para a questão humana e não só técnica.

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