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Produtores de MG abrem as porteiras para o turismo rural

Cultivo de café e o processo da cachaça, desde o plantio da cana, atraem público em Minas Gerais.

Do Jornal O Tempo

Para ajudar a reforçar a renda, agricultores familiares estão abrindo suas propriedades para o turista, que tem a chance de conhecer o processo de produção. Edmar Lopes é um desses produtores. “Hoje, de 5% a 10% da minha renda vem do turismo rural. É algo novo e que precisa de mais divulgação. Acredito no potencial, que pode chegar de 20% a 30% até 2020”, diz. Hoje, o café é a principal fonte da renda da propriedade rural, entre 80% e 90%. “Hoje eu vendo cerca de 10% do café nas visitas à propriedade. Nosso objetivo é dobrar esse número com o roteiro ‘Café com Cachaça’”, conta.

Ele já recebeu em sua propriedade turistas de Minas Gerais, São Paulo e até do outro lado do mundo. “Recebi alguns japoneses. Eles ficaram encantados, valorizaram o ar puro e gostaram do carro de boi”, conta. Lopes oferece em sua propriedade, no Sítio Cantinho da Saudade, em Araponga, na Zona da Mata, além do passeio de carro de boi, hospedagem, trilha, e demonstração do processo de produção do café. “Nós mostramos desde o princípio da produção: o manejo do solo, a seleção do café, o torrador e a secagem. Eles passam a conhecer todo o processo. Procuro fazer a apresentação de acordo com a área da pessoa”, diz.

Produtores mineiros ganham com o turismo rural (foto: Uarlen Valerio)

Produtores mineiros ganham com o turismo rural (foto: Uarlen Valerio)

O agricultor recebe em torno de 15 visitantes por mês. Eles têm a opção de se hospedar no local ou optar somente pelo passeio. “A casa pode receber até seis pessoas. Hoje, a maior parte dos nossos visitantes é de estudantes”, diz.

Certificado há oito anos para produzir café orgânico, o agricultor familiar cultiva o produto a mais de 1.572 metros de altitude, o que influencia nas características de aroma da bebida. Segundo Lopes, também desperta muita curiosidade no turista, que acaba passando a experiência para amigos e atraindo mais turistas. O resultado do trabalho dele são os dois prêmios de melhor café do Estado. “Além do café orgânico, também trabalho com o café natural, selvagem. Nele, não usamos esterco, é necessário todo um cuidado. Eu colho café o ano todo”, conta.

O agricultor conta que o valor do café orgânico chega a ser 60% superior ao café convencional.

Na mesma região, além da produção do café, os turistas podem conhecer a produção da cachaça, que é a especialidade do agricultor familiar José Maria Santana Júnior. Ele deu continuidade ao trabalho iniciado pelo pai na Cachaçaria Guaraciaba, produzida na Fazenda Independência, em Guaraciaba, também na Zona da Mata.

Em média, são 300 visitantes anuais que vão à propriedade de agricultura familiar para saber como é feita a cachaça. “Nós trabalhamos com a colheita da cana sem queima, fermentação natural, destilação em alambiques de panela e fracionada. Separamos a cabeça e a cauda e só engarrafamos o ‘coração’ da cachaça, que é a parte boa do produto”, explica. O cuidado com a bebida rendeu prêmios. A cachaça de Guaraciaba ficou entre as cinco melhores cachaças amarelas do Brasil.

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