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Revitalização de figueira resgata história de 200 anos no Sul de Minas

Série de assassinatos ocorreu na cidade São Bento Abade. Hoje, relato sobre a saga de Sete Orelhas virou atrativo para turistas.

Do G1

Figueira batizada de Tira Couro, em São Bento Abade (Foto: Reprodução/ EPTV)

Figueira batizada de Tira Couro, em
São Bento Abade (Foto: Reprodução/ EPTV)

A revitalização de uma figueira, no Centro de São Bento Abade, no Sul de Minas, está resgatando para o turismo local uma história que marcou a cidade há cerca de 200 anos. Foi na árvore apelidada de Tira de Couro que um homem teria sido esfolado e pendurado para morrer. O crime originou o mito do justiceiro Sete Orelhas, a pessoa que teria dedicado anos de sua vida na procura aos envolvidos na morte do irmão.

Quem visita o município de cerca de 5 mil habitantes é apresentado a um verdadeiro itinerário dessa saga de assassinato e vingança ocorrida durante o período colonial. Na Casa da Cultura Sete Orelhas, há livros e reportagens sobre o assunto. No entorno da figueira Tira Couro, placas informativas em forma de orelha. Na praça central, a figura de Januário Garcia Leal, o Sete Orelhas, está eternizada na estátua de um homem montado em seu cavalo.

Por volta de 1802, Januário teria recebido da Justiça Colonial autorização para vingar a morte do irmão João Garcia Leal. Em meio a uma disputa de terras, João foi capturado embaixo da hoje famosa figueira pelos conhecidos irmãos Silva. Eram sete irmãos que teriam amarrado e pendurado João no tronco e o despelado vivo. Com a autorização oficial para dar o destino que quisesse aos algozes do irmão, Januário passou os seis anos seguintes dedicado a matar cada um dos envolvidos.

Sete Orelhas foi imortalizado em estátua no Centro de São Bento Abade, MG (Foto: Reprodução/ EPTV)

Sete Orelhas foi imortalizado em estátua no Centro de São Bento Abade, MG (Foto: Reprodução/ EPTV)

Como prova da conquista de sua vingança, Januário cortou uma orelha de cada vítima e fez um colar. Desse símbolo criado por ele surgiu o apelido.

“O que ele fez, ele não fez errado não, ele fez certo. Ele é um herói”, diz o aposentado João Neves da Silva. E é esse o sentimento que a história dos irmãos deixou marcado entre muitos moradores de São Bento Abade, associando a vingança, que nos dias atuais seria considerada um crime bárbaro, a um ato de ousadia e bravura contra uma injustiça.

Mas o resgate da figueira e das lembranças a ela associadas também serve para que os fatos não sejam banalizados. “As placas instigam o visitante do patrimônio a refletir”, diz Lincoln Daniel de Souza, presidente do Conselho do Patrimônio Histórico e idealizador do projeto de revitalização. Afinal, Sete Orelhas foi um justiceiro, herói ou vilão?

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