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Seca leva Cemig a desligar hidrelétrica no Sul de Minas

Três Marias também teve vazão reduzida

Do EM

A seca que tem castigado o sul de Minas Gerais e toda a bacia hidrográfica do Rio Grande, responsável por 25% do abastecimento das Regiões Sudeste e Centro-Oeste, fez sua primeira vítima da geração de energia. A partir desta segunda-feira (3), a estatal mineira Cemig vai paralisar a operação da hidrelétrica Camargos, localizada na cidade de Itutinga, no Sul de Minas. Em situação parecida, uma das usinas mais importantes do estado, a de Três Marias, sofreu redução da vazão pela segunda vez no período de um mês. A decisão também foi tomada em função da estiagem prolongada.

A usina, que tem potência de 45 megawatts, está localizada na cabeceira do Rio Grande, que tem mais 12 barragens instaladas em seu curso. A decisão de desligar as turbinas de Camargos deve-se ao nível crítico do reservatório da hidrelétrica, que está com menos de 0,5% de sua capacidade máxima. Até ontem, a usina ainda mantinha uma de suas duas turbinas ligadas, mas com capacidade para gerar apenas 3 MW.

De acordo com o gerente de planejamento energético da Cemig, Marcelo de Deus, o reservatório atingiu seu nível mínimo, mas é possível, em alguns casos, manter o funcionamento das turbinas mesmo abaixo deles. A companhia irá testar essa possibilidade na próxima semana. Caso isso não seja possível, a vazão para jusante (rio abaixo) passará a ser liberada pela válvula de fundo, visando manter a perenização do rio e o abastecimento de cidades que dependem do reservatório. Segundo o gerente, Lavras e Perdões dependem da água da represa.

Esse procedimento deve permanecer até que as chuvas proporcionem condição afluente para elevação do nível de água do reservatório. “Esperamos chuva em níveis melhores na semana que vem e ali, porque o reservatório é pequeno, podemos ter uma resposta rápida. O que sabemos é que (o desligamento) não traz transtorno a ninguém. Não há motivo para preocupação e não vai alterar em nada o atendimento ou a segurança”, afirma.

Três Marias

Represa de Três Marias está com o fundo à vista (foto: Jornal O Tempo)

Três Marias teve vazão reduzida (foto: Jornal O Tempo)

Na região Central do estado, a Usina Hidrelétrica de Três Marias teve sua vazão reduzida mais uma vez, agora de 140 m3/s para 120 m3/s. A decisão foi tomada no último dia 29, durante a 12ª reunião na sede da Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília, em consenso com os atores do sistema elétrico nacional. A redução vem sendo praticada desde abril deste ano.

A medida tem como finalidade conservar a pouca água que ainda há na represa, evitando que o volume útil de armazenamento chegue a zero, atingindo o chamado volume morto. O nível atual do reservatório, segundo o gerente, é de 2,9% do volume útil. “Temos gerenciando para não chegar no zero e estamos bem sucedidos”, pontua. “Esperamos que com essas chuvas da semana que vem, possamos melhorar a vazão. O reservatório de Três Marias é muito grande e demora muito para se recuperar, mas vale lembrar só estamos começando o período chuvoso”, completa.

Caso a usina chegasse ao volume morto, acarretaria problemas no abastecimento das cidades localizadas abaixo da UHE, além de comprometer o maquinal que dá funcionamento a seis turbinas existentes no reservatório. Atualmente, apenas duas delas estão em atividade.
Estiagem
A estiagem histórica gera um efeito cascata sobre o Rio Grande, rio que nasce em Bocaina de Minas (MG), e avança sentido leste-oeste, fazendo a divisa de Minas e São Paulo, até desaguar no Rio Paraná. Neste caminho, há mais 12 barragens que também sofrem com a escassez de água. O reservatório de Furnas, por exemplo, que está entre os maiores do País, está atualmente com apenas 13% de sua capacidade de armazenamento.

Já a UHE Três Marias foi a primeira a ser construída ao longo do rio São Francisco, em 1962. Em janeiro deste ano, o volume útil dela era de 27,56%.

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